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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ratos

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Tenho uma grande admiração por ratos. Eu já tive um rato de estimação. Essa informação teria mais impacto antes, porque muitas pessoas passaram a achar ratos simpáticos depois de Ratatouille. Nos extras do DVD, tem um filminho dedicado inteiramente à informações sobre os ratos de verdade. Já eu sou de uma geração diferente, a do Mickey Mouse e o Jerry. Mickey Mouse é um camundongo sem nada de roedor, de um bom mocismo irritante. Já o Jerry, com sua esperteza e crueldade, era muito mais rato. Lembro da dona do Tom (cujo rosto nunca vimos) subindo desesperada na cadeira quando vê Jerry. Mesmo hoje, é assim que as mulheres aprendem a reagir na presença de um rato, subindo nas cadeiras e gritando por socorro.





Rato é meu ascendente no horóscopo chinês, e a descrição do signo diz que eles são gregários, organizados e protetores. Só que quando combinado com o meu outro signo, a serpente, geralmente esses horóscopos me definem como interesseira, vingativa e capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quero. Um pouco como os ratos do Guia do Mochileiro das Galáxias. Esse livro, um verdadeiro símbolo nerd, perde muito a sua graça quando lido depois dos vinte (meu caso). O que achei interessante foram os aliens chegam na Terra para conversar com a especie mais inteligente. A surpresa está no fato de que a humanidade é apenas a terceira espécie: antes da humanidade estão os golfinhos e os ratos encabeçam a lista. Concordo.



(vejam a partir do 3:10)


O que me convenceu disso foi um livro interiro dedicado ao assunto: Todos os ratos do mundo: do Flautista de Hamelin a Mickey Mouse: O Irresistível Charme dos Roedores. Olha que informação interessante: desenvolver veneno contra ratos é muito difícil. Não se sabe se é pelo olfato, mas eles são muito desconfiados e simplesmente não comem certas substâncias, por mais que sejam misturadas aos ingredientes mais saborosos. E quando se deparam com algo novo, eles fazem com que os mais velhos ou mais fracos comam primeiro. Esses membros ficam dias em observação, e apenas depois desse período, se eles não mostrarem nenhuma reação, é que os outros comerão a comida. Venenos para ratos, por esse motivo, precisam não ter odor e só manifestarem seu efeito depois de alguns dias.

Essa daqui é pra convencer de uma vez que eles são muito inteligentes: um navio estava infestado de ratos. Para exterminar a praga, o navio foi esvaziado, lacrado e colocaram tubos por pontos estratégicos onde seria liberado um veneno poderoso. Com aquela quantidade de veneno, durante tanto tempo e sem ter por onde sair, todos os ratos morreriam asfixiados e a praga terminaria. Só que quando terminou a administração de veneno, eles chegaram lá e encontraram os ratos, vivos. O que teria dado errado? Quando foram recolher os tubos, viram que em cada um havia um rato entalado. Ou seja, eles descobriram de onde o veneno saía e sacrificaram alguns membros para impedir que todos morressem.

As histórias de ratos são todas assim. Os ratos são tão poderosos porque pensam coletivamente. Ratos dão a impressão de serem uma grande inteligência, espalhada em pequenos corpos ágeis e de dentes afiados. Uma família de ratos sempre pensa no todo. Quando o lugar onde eles estão se torna pequeno e a comida escassa - experiência de alimentar um casal, deixando-o se reproduzir o quanto quiser, sem mudar de gaiola ou alterar a quantidade de ração - eles começam a fazer controle de natalidade e racionar comida. Por isso que só eles e as baratas (sem mérito por parte delas) sobreviveriam a uma hecatombe nuclear. Nós mal sobrevivemos a nós mesmos.


domingo, 24 de abril de 2011

Férula, personagem de A Casa dos Espíritos

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Ao longo de tantos anos de solidão e tristeza tinha ido decantando as emoções e limpando os sentimentos, até os reduzir a umas poucas terríveis e magníficas paixões, que a ocupavam por completo. Não tinha capacidade para as pequenas perturbações, para os rancores mesquinhos, as invejas dissimuladas, as obras de caridade, os carinhos mornos, a cortesia amável ou as considerações citadinas. Era um desses seres nascidos para a grandeza de um só amor, para o ódio exagerado, para a vingança apocalíptica e para o heroísmo mais sublime, mas não conseguiu realizar seu destino à medida da sua romântica vocação, e esse destino decorreu chato e cinzento, entre as paredes de um quarto de enferma, em míseros asilos, em tortuosas confissões, onde essa mulher grande, opulenta, de sangue ardente, feita para a maternidade, para a abundância, a ação e o ardor, se foi consumindo.

Isabel Allende/ A casa do espíritos