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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Livro de biblioteca

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Não é todo mundo que gosta ou que tem o hábito de frequentar bibliotecas. As vantagens são muitas: ter acesso a um acervo quase inesgotável, sem qualquer custo e sem se preocupar com a preservação dos livros. O único retorno necessário é o compromisso de cuidar bem do livro e de devolvê-lo na data prevista. O livro, dessa maneira, deixa de ser visto como um objeto de uso pessoal e se torna um bem comum. O livro emprestado não é mais usado como um objeto de decoração que deixa seu dono com ares de cultura para suas visitas (por mais que ele não tenha lido os livros que tem), normalmente não costuma ser o best seller mais atual e nem serve como caderno de impressões durante a leitura. Quem frequenta bibliotecas se educa para pegar apenas o que pretende ler nos próximos dias, e permitir que os outros leiam o livro pelo menos no mesmo estado que pegou.

E tem também as bibliotecas livres, que nascem da iniciativa de pessoas comuns e seu desejo de partilhar conhecimento. Elas abrem mão de terem todos aqueles livros com elas, aguardando anos a fio para serem lidos; livros bonitinhos e preservados seriam livros subaproveitados, livros que transmitiram pouca informação. Aqui em Curitiba temos a Biblipote, criada pelo meu amigo Alessandro. O que define a Biblipote é a solidariedade. Primeiro, dos donos da padaria Pote de Mel que cederam o espaço. Depois, na formação do acervo, que conta com um acervo inicial doado pelo próprio Alessandro e aceita doações. Por último e mais importante, ela conta com a integridade dos leitores. É uma biblioteca que não faz qualquer tipo de cadastro, não tem prazo de devolução e muito menos multas. O leitor pode levar o livro para casa e ficar com ele o tempo que for necessário. O sucesso da Biblipote foi tanto que agora o Alessandro está animado em fazer minibibliotecas ao ar livre. É uma iniciativa linda, vale a pena conhecer.

Mesmo quando dão multas, o poder punitivo das bibliotecas costuma ser pequeno. De uma maneira ou outra, as bibliotecas sempre contam com as boas maneiras e compromisso dos seus frequentadores. Justamente do que mais duvidamos quando pensamos em estranhos. O Alessandro recebe muitos comentários incrédulos quando se propõe a deixar os livros disponíveis - de que vão roubar, que esse tipo de coisa só é possível em outros países, que os livros não serão bem cuidados. Quando vejo a Biblipote prosperar, ou quando empresto um livro na Biblioteca Pública que já passou por dezenas de leitores, lembro que o estranho pode apenas ser eu e você.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Adeus às armas

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Eu deveria ter anotado na hora, mas não me ocorreu.

Geralmente vou à biblioteca com apenas um livro definido, ou uma vaga idéia do que pegar- um autor brasileiro e um livro de contos, reler um clássico e um autor americano, conhecer um autor novo e seguir a indicação de um blog, etc. Passo por fases de ler vários livros seguidos de um só autor e depois o abandono por um tempo. Gosto de passear pelas estantes das diferentes nacionalidades e cada hora descobrir algo novo. Há duas semanas avistei Heminway, de quem nunca li nada, e decidi arriscar. O nome Adeus às Armas me soou familiar, e na capa dizia que era um livro autobiográfico que falava do período da Primeira Guerra. Autobiografia e história, não tem como ser ruim, pensei.

Quando cheguei em casa, com Adeus às Armas (e Solo de Clarineta I), me sentei confortavelmente no sofá disposta à todos os rituais correspondentes a ficar um longo tempo lendo. Aí comecei a ler a orelha do livro. Deveria ter anotado aquilo. Ela dizia coisas como "a cena de amor mais bonita de toda a literatura" "você vai ficar de coração partido quando Fulano e Beltrana se separarem em não-sei-onde" "o livro mais emocionante já escrito" e outros exageros que me deram tanta vergonha alheia que até duvidei se a pessoa que os escreveu assinaria (e assinou).

Resultado: devolvi sem ler uma só linha.